Saúde e geografia: Condicionantes geográficas são importantes para se reconhecer as áreas de risco

Em época de surto de febre amarela em parte do território brasileiro, é comum que a população fique intrigada por onde “a doença tem andado” e como podemos melhor nos proteger.

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Caricatura do Dr. John Snow. Fonte: Geografia das Coisas

Portanto, para entender a espacialização das doenças em geral, pedir ajudar para os conhecimentos geográficos se torna necessário e essencial, principalmente porque a identificação das áreas de risco é uma das primeiras informações que temos e queremos!

Geograficamente falando uma área de risco é uma área passível de ser atingida por fenômenos naturais ou induzidos que causem efeitos desfavoráveis, como danos a integridade física, perdas materiais etc.

As doenças que se manifestam nos seres humanos, são de certa forma o reflexo da situação da saúde local, que é uma acumulação de fatores históricos, naturais, sociais e que a partir de suas particularidades disseminam tipos de doenças.

Mas quais são as condicionantes que determinam uma área de risco? Por que certas doenças acontecem em uma região e em outras não?

Basicamente todos os elementos de análises geográficas podem nos ajudar a interpretar a delimitação de uma área de risco:

  • Naturais: Clima; Vegetação; Hidrografia; Fauna; 

(Exemplo: Climas frios com baixa umidade favorecem os casos de resfriados; Locais com vegetação densa tem mais concentração de mosquitos que podem ser vetores.)

  • Socioeconômico: Saneamento básico; Acesso à saúde pública; Hábitos culturais;

(Exemplo: Municípios que têm problemas com saneamento básico, pela falta de investimento, deixam a população mais exposta aos problemas de saúde.)

Além dos fatores ambientais, o tempo também pode ser uma variável, certas estações do ano, ou mesmo uma determinada periodicidade, podem levar ao (re)surgimento de uma doença.

O grau de risco na área delimitada, vai depender da exposição das pessoas frente aos agentes ou fatores ambientais propícios a proliferação de doenças. Por isso a importância da informação e principalmente do acesso à saúde básica.

Pensando de uma forma geral, a doença que se manifesta no ser humano é um reflexo da situação da saúde local, portanto muito dos surtos estão mais relacionados a causas sociais do que de outras.

Destacar as principais condicionantes geográficas das doenças e as suas diferentes atuações e combinações por regiões é importante para que se possa reconhecer as fraquezas, atuar sobre os problemas e incentivar uma melhor qualidade de vida para as populações em áreas de risco!

O EXEMPLO DA FEBRE AMARELA 

No Brasil, as áreas de risco são os locais com presença de matas e rios onde o vírus, hospedeiros (macaco, por exemplo) e vetores (mosquitos infectados – Aedes aegypti) ocorrem naturalmente. As características climáticas do tipo tropical também são grandes influenciadoras. Por isso a presença da doença em locais do continente africano também.

Formas de transmissão:

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Segundo a Organização Mundial da Saúde de 2016, “grandes epidemias de febre amarela ocorrem quando pessoas infectadas introduzem o vírus em áreas densamente povoadas onde exista elevada densidade de mosquitos transmissores e onde a maioria da população apresente baixa cobertura vacial. Sob tais condições, mosquitos infectados transmitem o vírus de pessoa a pessoa”.

No mapa abaixo é possível observar as localidades das áreas de maiores riscos. Nota-se que ocupa uma grande parte do Brasil.

mapa-vacina-amarela-portalO Portal da Saúde também alerta que o período de maior frequência da doença é nos meses de dezembro a maio, quando há maior índice pluviométrico e maior densidade vetorial.

Sabendo isso, se você mora em uma área considerada de risco ou irá se deslocar para uma, tomar as doses de vacinas necessárias não podem ser deixadas para depois!

Links relacionados:

http://www.infoescola.com/geografia/geografia-da-saude/

http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/informacoes-tecnicas-febreamarela

Recomendação de leitura:

Geografia da Saúde ou o “Mapa das Doenças”: do Dr. John Snow à Dengue e Zika Virus

Livro: O território e o processo saúde-doença – Fonseca, Angélica Ferreira (Org.)

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